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A Rádio Itaí tinha seus estúdios em Porto
Alegre, mas os transmissores estavam em Guaíba, na região
metropolitana da capital gaúcha.
Consta, em nossos registros, que a Rádio
Itaí foi fundada em 8 de março de 1952, por Marino Esperança,
que trabalhava na Rádio Gaúcha. O prefixo era ZYU-33, e
a Rádio tinha seus transmissores de ondas médias na cidade de
Guaíba e os estúdios e administração em Porto Alegre, na Rua dos
Andradas, 1155, 16. andar. A Rádio passou por diversos
administradores, como Venâncio, Harry Herbert Kley, Ulysses
Sabatine Moreira, Breno Futuro e Lorenzo Gabellini. O
mais importante é que a Itaí foi uma empresa que formou muitos
profissionais do rádio gaúcho e que buscou renovações permanentes e
com sucesso, atingindo invejáveis níveis de audiência junto a
concorrência, como emissoras integrantes de redes de comunicação. O
segredo esteve na simplicidade da organização, nas constantes
pesquisas de mercado e no trabalho desenvolvido por seus colaboradores,
com responsabilidade e comprometimento. A administração era simples,
sem grandes estruturas organizacionais, planejamentos, organização e
métodos (tão em voga na época), de modo que, com pessoal reduzido em
relação à empresas de mesmo setor, conseguia bons resultados de
audiência.
Nos idos de 1959 a Itaí deu um salto de qualidade, adquirindo
transmissores mais potentes, diversificando sua programação de acordo
com os interesses dos ouvintes e produzindo programas com scripts
(roteiros escritos) sobre novidades no mundo musical e entrevistas com
artistas e divulgadores de gravadoras. As gravadoras (Odeon,
Copacabana, Continental, RGE, Columbia, Masterpiece, Musidisc, RCA
Victor, RCA Camden, Chantecler, Califórnia, Hi-Fi Record, Audio-Variety,
etc.) lançavam, a cada mês, dezenas de novidades em discos de vinil -
os LPs - e discos de 45 e 78 rotações. Não haviam gravadores
portáteis para que as músicas fossem copiadas e nem gravadoras
piratas. O mercado, portanto, era aquecido. Celebridades como Altemar
Dutra, Celly Campello, Anísio Silva, Moacyr Franco, Agostinho dos
Santos, Chubby Checker, Waldick Soriano, Demetrius, Elis Regina, Connie
Francis, Elza Soares, Francisco Egydio, João Gilberto, Lana
Bittencourt, Marcia Elisa, Pocho e seu Conjunto, Conjunto Melódico
Norberto Baldauf, Conjunto Farroupilha, Roberto Silva, Sylvia Telles,
Sylvio Mazzuca e sua Orquestra, Trio Los Panchos, Os Violinos Mágicos,
Orquestra Românticos de Cuba, Wilson Miranda e muitos e muitos
outros surgiram no cenário artístico por essa época. Trabalho havia.
A questão era saber divulgar com imparcialidade para um público ávido
por novidades em discos. Neste gênero haviam programas de toda ordem: Sugestões
a Sua Discoteca, Novidades da Semana, Os Três Mais, Os
Bacharéis do Disco, Favoritos do Momento, A Música Que
Você Pediu, Disque Para 40-55 Pedindo Bis, Sucessos da Semana,
Turbilhão de Melodias, Valsas Inesquecíveis, Teatro Lírico, Baile de
Aniversário, etc. sob a responsabilidade de Cláudio Laitano Santos,
Fausto de Almeida Vieira e Delmar do Prado Goulart.
Na área sentimental a Itaí apresentava Clube dos Namorados,
Dedos de Ouro, Um Bolero Para Dois, A Musa Dos Meus Cantares, e Música
e Romance, a cargo de Silva Filho, André Sebenello e Antonio
de Pádua Gonçalves.
Brotolândia era um programa produzido e apresentado por Renato
Pereira e Francisco Salzano que escolhia uma moça ginasiana
ou normalista para uma entrevista, onde a entrevistada, além de abordar
assuntos de moda, cinema, dança, estudos, etc., apresentava e comentava
sobre seus discos preferidos.
Renato Pereira ainda apresentava Rádio Caricatura, com o bom
humor que lhe é peculiar, satirizando programas da Itaí e das outras
emissoras.
A Rádio ainda divulgava a música regionalista através de
Caminhos do Sul, Coisas Nossas e No Arraiá da Curva Torta, produzidos
por Iracy Fialho e Nelson Souza.
No rádio jornalismo a Itaí estava presente com O Mundo Em Sua
Casa e Grande Jornal Falado, sob a direção de Ruy Vallandro.
Nos finais de semana e feriados a Itaí apresentava Turfe e Boa
Música, a cargo de Vergara Marques, programa imbatível, mesmo
para quem não apreciasse corrida de cavalos; a seleção musical era de
primeira.
A partir de 1966, Lorenzo Gabellini, que havia se afastado para
administrar a Rádio Cultura de Gravataí - com estúdios também em
Porto Alegre - assumiu a diretoria da Rádio Itaí. A sua
experiência e o seu modo de trabalhar fez com que a Itaí, não
somente mantivesse boa audiência, como a levou ao primeiro lugar, com
30,5% de audiência, seguindo-se emissoras de grande porte, como
Gaúcha, Farroupilha e Guaíba.
Na administração de Gabellini a Itaí apresentava, com
destaque, programas destinados à donas de casas e trabalhadores. Bolsa
de Empregos, citando vagas e locais onde os desempregados poderiam
candidatar-se ao trabalho, Itaí, A Dona da Noite, com música
selecionada das 24 às 6 horas e o Aconteceu, noticiário policial, com
dramatização, narrado por Sérgio Zambiasi.
Em 1969 a Itaí continua líder em audiência, com 40,00%,
seguida pelas rádios Gaúcha, Guaíba, Difusora e Farroupilha.
A Itaí FM foi a primeira emissora na freqüência modulada a ser
criada em Porto Alegre, em 1972. Eron Bueno, um dos melhores
locutores do Rio Grande do Sul, senão o melhor, sinalizava a emissora:
Itaí - Sistema quadristério FM, classe A, ou, Itaí FM - Aqui, Porto
Alegre, ou Itaí FM, com Varig, Dona da Noite. A partir do sucesso da Itaí
surgiram novas fms, como Gaúcha, Guaíba, Difusora e Metrópole.
Gabellini não resistiu a oferta da Igreja Pentecostal Deus é
Amor e acabou vendendo as emissoras em 1983. A Era Itaí serviu como
base no desenvolvimento do rádio gaúcho.
A
ITAÍ QUE EU CONHECI
Depoimento de Cláudio Laitano Santos (*)
Nos
meus dezesseis anos, quando já escrevia para o Jornal do Dia, em
Porto Alegre, uma coluna especializada na divulgação dos lançamentos
de discos musicais, intitulada, "Discomentando", fui
levado por instinto a procurar a Rádio Itaí, no 16. andar do
Edifício Chaves (edifício do relógio), para produzir um programa
semanal no mesmo gênero da coluna publicada no Jornal.
Meu primeiro contato foi com Silva Filho, que comandava a programação
da Rádio e tinha um programa diário, com início às 15:00 hs,
e que se chamava "Café da Tarde". Era um programa de grande
audiência, direcionado às donas de casa, com dicas para lazer, receitas,
músicas, contato com as ouvintes, recomendações, etc.
Eu disse a Silva Filho o que eu pretendia fazer e mostrei-lhe o que
eu já fazia no Jornal do Dia. Ele fez a primeira pergunta:
"Que idade tu tens?". Eu respondi: "dezesseis anos".
Ele falou: "a mesma idade que eu comecei no rádio!". Esta sua
expressão deu-me um alívio e senti que o meu projeto estava sendo aprovado.
Mais uma coisa: Silva Filho entregou-me o "script" de um
programa e pediu-me para fazer um modelo de meu programa (projeto piloto).
Dois dias depois entreguei o piloto para o Silva Filho, que o leu
e perguntou-me quando eu poderia começar. Acertamos tudo. E no sábado
seguinte, às 20:30 hs, no dia 18 de outubro de 1958, eu apresentava "Novidades
da Semana", o roteiro certo para os colecionadores de discos (tinha
até slogan!).
A Itaí era uma emissora que tinha carências, na época, de produtores
de programas. Além de Silva Filho, com o seu "Café da Tarde",
e posteriormente com outros programas, tinha Nelson Souza, com "No
Arraiá da Curva Torta", um programa com música caipira apresentado
todos os dias às 12:00 hs, ao vivo, e fazia sucesso. A Itaí dispunha
de um pequeno auditório, também no 16. andar do Edifício Chaves, e lá
pelas 11:00 hs começavam a chegar os cantores, gaiteiros e o público que
vinha assistir o "No Arraiá da Curva Torta". Nos fins
de semana e feriados a Itaí era líder nas transmissões sobre corridas
de cavalos, com Vergara Marques, em "Turfe e Boa Música".
Às 6:00 hs a Rádio iniciava suas transmissões com "Alvorada
no Rio Grande", um programa de uma hora de duração. No mais eram
programas que rodavam discos e que se chamavam "Desfile de Sucessos",
"Clube da Fama", "Distração Musical",
"Variedades em Desfile", e por aí afora, onde qualquer
disco poderia se encaixar em qualquer programa. No intervalo de cada música,
jingles e spots (eram sete, no máximo).
O diretor da Rádio chamava-se Dr. Venâncio, que a
vendeu, em 1958 ou 59, a um grupo constituído por Ulysses Moreira,
Lorenzo Gabellini e Harry Kley. Trabalhar na Itaí
era prazer. O ambiente era tranqüilo, as pessoas eram responsáveis e
mais anunciantes começaram a entrar na programação. Lembro-me que Gabellini
chegava na Rádio no início de cada expediente da manhã, saia e
retornava no fim da tarde, sempre carregando uma pastinha debaixo do
braço. Era ele quem trazia o dinheiro para a Rádio, ou seja, os
contratos de anúncios.
Percebi que era hora de começar com novos programas. A esta altura era
muito bom meu relacionamento com o pessoal, entre os quais lembro, Serra
(financeiro), Teixeira (programação), Delmar Prado Goulart
e Nelson Triboli (discotecários), o próprio Silva Filho,
os operadores Raul Saraiva, Antonio de Pádua Gonçalves, J.
Alves, Antonio Bogowitz, João Barcelos, Milton,
os locutores Álvaro Doval, Moacyr Ruiz, Luiz Carlos
Lantieri, Enio Lantieri e a diretoria, que conhecia o meu
trabalho.
De uma hora para outra abriram-se espaços e eu cheguei a produzir cinco
programas simultâneamente, alguns dia sim-dia não, sem me descuidar da
coluna no Jornal do Dia e outra que conseguira no jornal Estado
do Rio Grande. E ainda participava de coquetéis das gravadoras,
entrevistava artistas e visitava todas as principais lojas de discos da
cidade, minimamente uma vez por semana. Em meio a tudo isto eu era
estudante.
Por dois meses, quando os discotecários entravam em férias, eu os
substituia.
A Rádio Itaí crescia em audiência. Renato Pereira,
famoso comediante, apresentava, uma vez por semana, "Rádio
Caricatura", onde satirizava não somente o pessoal da Itaí,
como de outras emissoras e criticava os políticos com bom humor.
Em 1959 ingressou como sócio o Dr. Breno Futuro, homem
experiente no negócio. A Rádio teve um impulso e, em setembro,
foi divulgado o primeiro "Informativo Mensal Para As Agências
de Publicidade", documento que mostrou a renovação da Emissora.
Nos horários das 8:00 às 11:00 hs e das 14:00 às 18:00 hs a Itaí
era líder em audiência.
Breno Futuro trouxe Fausto de Almeida Vieira, programador
experiente, que ajudou a desenvolver um projeto mais atualizado para a Rádio.
Salvatore Rosito, que atuava na Itaí, resolveu ter sua
emissora própria, levando Gabellini, Teixeira, Milton
e mais alguns da Itaí, para a Rádio Cultura, de
Gravataí, com estúdios na Rua Cel. Vicente, 456, 5. andar, em Porto
Alegre. Posteriormente, eu também para lá me transferi, em 1962,
continuando a produzir programas musicais e vendendo anúncios para a Rádio
Cultura.
(*)
Editor de Discomentando
 
CÓPIA
DA PG 3 DO INFORMATIVO MENSAL PARA AS AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE - RÁDIO
ITAÍ - SETEMBRO DE 1959
BOA NOTÍCIA
Nossa maior preocupação sempre foi a superar-nos a nós mesmos.
Vivemos para nós e para os que nos deferem com sua atenção. O nosso
trabalho constante, procurando melhorar sempre a cada vez mais nossos
diferentes setores, é o que nos interessa. Por assim dizer, somos
nossos próprios concorrentes... Concorrentes de nossa capacidade e de
nosso trabalho. Vencendo - os teremos vencido. Será a vitória do
progresso, do desenvolvimento, de nosso próprio aprimoramento; será a
vitória de uma equipe superando-se a si mesma e que fazendo hoje um
rádio melhor do que ontem estará provendo a evolução que se deseja e
se exige em todos os setores da vida moderna.
Por tudo isso eswtamos felizes ao saber que o índice de sintonia da
Rádio Itaí melhorou surpreendentemente. Dois primeiros lugares: um no
horário das 8:00 às 11:00; outro das 14:00 às 18:00 hs.
Uma boa notícia, sem dúvida. A notícia de que já estamos alcançando
os objetivos que inspiraram a campanha de renovação total iniciada há
seis meses. Cuidando apenas de nós e de nossos maiores concorrentes que
era nossas deficiências, chegamos antes do tempo previsto, ao lugar de
relêvo que desde há muito nos estava reservado. Vencemos a nós mesmos
e isso nos basta. Já temos o que vender com mais qualidade. Qualidade
melhor por preço rzoável, entretanto.
Mesmo assim, porém, não estamos satisfeitos. Desejamos mais porque
desejamos tudo. E é nessa direção que continuamos a caminhada, agira
mais animados do que nunca.
E, se alguém tivesse ainda alguma dúvida - alguém que se preocupasse
tanto conosco, como nós com nós mesmos - recomendaríamos uma pesquisa
fiel e honesta, nos grandes e verdadeiros "laboratórios de
pesquisas publicitárias", como o que nos forneceu os dados acima.

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